Vou logo avisando: se você deseja uma resposta, não continue a ler. Acho mais provável que saia daqui mais confuso do que imagina. Não seja tão ingênuo a ponto de confiar nas palavras mal elaboradas de uma garota com uma década e meia de vida (não disse que idade serve de parâmetro para nada, mas isso é um alerta sobre minha pouca experiência).
Se, mesmo assim, você é desobediente e vai até o final, obrigada. Gosto de quem arrisca tudo e paga para ver. O preço nem sempre é tão caro, e saber que todas as fichas foram usadas é reconfortante.
Pois bem, vamos ao que realmente interessa. Baseando-me em observações feitas ao longo do tempo, creio que todo mundo já teve aquele grande sonho nem tão de outro mundo assim e, aparentemente, tão palpável que acabou sendo frustrado - ou, no fundo, nunca acabou mesmo. Usar-me-ei como exemplo.
Primeiramente, sou muito jovem. Mas minha cabeça já tem se programado há algum tempo, e acho que meus rumos vão ser os que apresentarei aqui. Segundo: por favor, eu sei que você pode ter todos os bons conselhos do mundo, mas não me diga para pensar diferente. Finja que não conhece o autor desse texto. Já tentei mudar de ideia, mas minhas conclusões são exatamente estas.
Aqui vai uma nota: se, por sorte ou intervenção divina desconhecida, as coisas acabem ideais para mim, desconsiderem esse texto.
Sonho em ser jornalista. Quando tento imaginar o que será de mim, profissionalmente, daqui a dez anos, só o que enxergo são luzes, xícaras de café, pantufas e, é claro, palavras. A perfeição se resume a isso. Sonho com textos em meu nome estampados nas bancas de jornais, pendurados em varais em companhia a flores. Também imagino meu website recheado de crônicas, notícias, poesias e tudo que sou capaz de sintetizar. E não posso esquecer meus livros de comédia romântica apimentados com críticas existenciais e ironias contra o sistema, como de praxe.
Até aí, você pode pensar que tudo está a meu alcance, que eu só preciso ir lá e colocar a mão na massa. Mas não é tão simples assim quando vivo em um lugar onde, se o plano é me dar bem na vida, a solução é me vender. Vender minha capacidade, meus talentos e minhas ideologias para a mídia e para os poderosos usufruírem, distorcendo-os completamente. Não quero escrever para alienar centenas de cidadãos, para esfacelar a realidade e reunir seus pedaços dando-lhes novos modelos como fazem os que se submetem ao mando dos chefões. Não serei uma escritora prostituída.
E também não serei hipócrita. Não vou dizer que não quero dinheiro, porque quero, sim. Meus maiores planos requerem poder aquisitivo, e esse é o problema. Se os tiver, quero criar meus filhos de forma digna e confortável. Quero viajar pelo mundo todo e conhecer tudo. Quero viver o máximo possível.
Quando citei as luzes presentes em minha imaginação, era a isso que me referia. Pontos brilhantes urbanos me fascinam demasiadamente, e minhas viagens serão justamente por isso. Antes de morrer, pretendo realizar tal sonho.
Mas meus desejos não são compatíveis e, cada vez mais, brigam pela medalha de ouro.
Não tenho plena certeza de que fui clara. Portanto, vou explicar melhor. Escrever para a mídia e não através dela está fora de questão. Juntando isso ao plano de ter poder aquisitivo, o diagnóstico é um só: ou as coisas mudam ou não serei jornalista.
Nunca consegui descobrir de que lado o mundo está, afinal. Se essa história toda vale ser vivida ou não, eu já havia dito: não sei. Também não tenho convicção de que descobrirei algum dia. A dúvida é cruel mesmo. Mas acho mesmo é que nada é bom ou mau. Quero dizer, não por completo.


